Revisando um plano de vida

Plano de vida

Quando olhamos de perto a diferença entre planejamento e execução, fica claro como somos pouco efetivos em alcançar objetivos porque estamos presos na execução, sem sequer ter um plano de fato. Por isso, às vezes precisamos dar um passo para trás e olhar de fora, avaliar nós mesmos para ver em que momento estamos em perspectiva.

Ah e claro, você não precisa revisar seu plano de vida toda semana. Quanto mais abstrato for com menos frequência deve ser feita essa revisão. Do contrário, passaríamos muito tempo refletindo e duvidando de nossos planos, o que seria péssimo e, por fim, não colocaríamos o plano em prática – deixando de vivenciar coisas novas e aprender com a experiência.

Mas, por mais contraditório que pareça, ainda sim, é necessário revisar o plano com uma frequência de 3 em 3 meses pelo menos. Isso ajuda a tomar melhores decisões de acordo com a direção que traçamos para nossa vida. E o mais importante, isso tudo precisa estar alinhado com nossos valores de vida.

Vicente Falconi diz que “as melhores decisões são tomadas quando passamos as opções pelo filtro de nossos valores.”

Então, que assim seja! Quando eu tinha 18 anos, por exemplo, eu estava dominado pela vaidade e status. Queria a qualquer custo ser milionário antes dos 25 anos. Esse plano de vida, me levou a tomar péssimas decisões e me sabotar em vários aspectos da minha vida.

Até entendermos que isso faz parte do nosso processo de crescimento e da visão de auto-realização leva tempo, até chegarmos a aceitação do erro leva tempo e, por isso, muitas vezes, estamos destinados a repetir os mesmos erros. Isso é caminhar bem perto da estrada que diz que não vale aprender com os erros dos outros, já que, todo o aprendizado, como dizem, está relacionado à experiência pessoal.

Eu acredito que todo aprendizado tem alguma validade. Para o meu eu do passado, o que me faltava era conhecimento e maturidade para manter os pés no chão.

A maneira como seus grandes objetivos se manifestam está mais perto de uma visão de negócio do que apenas resoluções de ano novo como ir à academia, fazer dieta ou começar um novo idioma.

Para tornar isso palpável, vamos seguir a recomendação de Taylor Pearson que fala sobre o exercício de projetar como será um dia qualquer para você daqui a 25 anos – que horas você vai acordar, com quem vai acordar, onde você está morando e o que você vai fazer durante o seu dia…

Nada do que estamos falando aqui vamos escrever em pedra, ou seja, conforme você muda como pessoa, sua visão muda, mas ela não precisa ser revisada toda semana, gosto de olhar para a minha, particularmente, trimestralmente.

Quando seu plano de vida estiver determinado, respeitando as suas possibilidades, fica muito mais fácil tomar as decisões do dia a dia, pois o plano traçado serve como norte. Ao invés de ficar se debatendo entre as infinitas opções à sua frente, a pergunta se torna – qual opção me leva para mais próximo do meu futuro projetado?

Dando esse importantíssimo passo, que é planejar seus objetivos de vida, você automaticamente reduz o estresse, pois sua direção traçada e mesmo que ainda não tenha cumprido com seus objetivos, ainda sim, você se sente seguro por ter uma perspectiva.

O que nos leva agora para a próxima pergunta: Como saber se o plano de vida é adequado e viável? Afinal de contas, não é todo mundo que consegue jogar no Real Madrid, por exemplo. No mundo real, existem limitações que nos limitam a escolher, não quero dizer que seja impossível, mas precisamos pensar com o pé no chão. Se eu tivesse algum direcionamento lá atrás eu não teria perdido tanto tentando ser milionário antes dos 25 anos.

O que se deve levar em conta na hora de refletir sobre o seu plano de vida?

Realidade

Se escolhemos algo grande demais, vai ser intimidador, não estimulante. Colocar os pés no chão e reduzir o escopo até que seja alcançável. Não precisamos mudar tudo de uma vez, devemos começar pelas coisas que conseguimos mudar.

Por isso, podemos agir localmente e correr riscos pessoais pelo que acreditamos. Por exemplo, para reduzir o escopo, escolher missões de vida com dimensão local de influência faz muita diferença. Ao invés de levantar fundos para “uma ONG que reúne pessoas para resolver o problema da fome”, por que não trabalhar como voluntário em um abrigo local, de preferência no seu bairro? Ou então, focar em criar uma família saudável e feliz é um objetivo muito louvável, ainda que seja algo totalmente “fora de moda” para a geração atual.

Depois de expandir nossa zona de conforto e aumentar nossas competências, naturalmente, nossa visão vai ampliando e seremos capazes de alcançar coisas maiores, mas jamais saindo do 0 para 100. Por isso, devemos manter o pé no chão e aceitar nossa realidade.

Outra forma de evitar pensamentos fora da realidade é correr riscos por aquilo que fazemos. Investir nosso dinheiro e suor no que realmente acreditamos. Mesmo que seja investir sua reputação já é suficiente para tornar a experiência mais real e te ajudar a aprender com os erros.

Continuidade

A vida é um jogo infinito, conforme discutido no livro Jogos Finitos e Infinitos, do James P Carse. A ideia é simples e ajuda a direcionar qual plano vamos aplicar dependendo do contexto em que estivermos.

Para entender melhor sobre isso, jogos finitos são aqueles com regras claras e objetivos específicos nos quais se observa um ganhador ou perdedor. Competição ajuda a gerar inovação e avanço na sociedade, então ter vencedores e perdedores em alguns contextos faz parte e precisamos aceitar.

Já em Jogos infinitos, não há regras claras, o “tempo” de jogo simplesmente não acaba e não se pode apontar vencedores ou perdedores. O objetivo no jogo infinito é sempre continuar jogando, só perde nesse jogo quem para de jogar, por opção.

É muito comum em nossa cultura imaginar que a vida se parece com um jogo finito, que podemos vencer na vida, como relata o Alberto Brandão de que desde pequenos carregamos uma crença que herdamos de nossos pais de que precisamos vencer na vida, que repetir um ano escolar é perdedor, e que se for aprovado em medicina, com certeza, é um vencedor e que não conta que se algo no meio do caminho acontecer e se não der certo os planos podem apenas representar um pequeno atraso e quem sabe muitas lições.

Ter uma figura definitiva de vencedor implica e interfere na visão de vida. Depois de entrar na faculdade, uma nova fase se inicia, novos problemas surgem, depois um emprego ruim não significa que você não venceu na vida, mas sim uma porta de entrada para novas possibilidades.
Escolher um plano de vida é também escolher entrar no jogo infinito, ou que você continue sempre jogando. Já ouvimos algumas vezes uma filosofia de vida: “Devemos viver cada dia como se fosse o último”, isso é tão ruim porque estaríamos todos em pânico sem considerar a continuidade do jogo.

Não podemos simplesmente acordar amanhã e ter como consequências dívidas acumuladas pelas escolhas de ontem por fazer tudo que queria.

De forma mais eloquente Ed Latimore diz que “a vida é curta demais para apenas ir atrás de coisas materiais, mas longa demais para viver apenas por experiências”.

E finalmente seu objetivo…

Deve ser algo que faça muito sentido para você, que te traga verdadeira vibração e paixão pela vida, que não seja restrito somente a você, mas que tenha impacto na vida das pessoas a sua volta e que você deixe um legado. No livro “Viver em paz para morrer em paz” Mario Sergio Cortella começa com uma indagação “Que falta você faria se não existisse?”

E, para quem continua sem rumo…

Está tudo bem não saber qual é seu direcionamento de vida.

Você não vai acordar amanhã sabendo o que quer fazer da sua vida, ainda mais se você não for alguém reflexivo. Por isso, continue crescendo e aprendendo, buscando descobrir um plano de vida e, quando descobrir o que você quer para si, uma nova fase da vida se inicia e quando você olhar para trás será capaz de ligar os pontos e ver que tudo valeu a pena.

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Artigo produzido por Alexandre Tavares, Co-Founder & COO da HandOver
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